Em 2024, os tumores malignos tornaram-se a principal causa de morte na Região Autónoma da Madeira, representando 26,3% dos óbitos e ultrapassando as doenças circulatórias. Este cenário reflete uma transição epidemiológica e levanta questões sobre prevenção, diagnóstico e equidade no acesso à saúde.
Os dados revelam disparidades territoriais significativas, com Santana a apresentar a taxa de mortalidade por tumores mais elevada (3,8‰), seguida por Machico e Funchal, enquanto Câmara de Lobos regista a mais baixa (1,8‰). Embora o envelhecimento da população em certos concelhos explique parte destas diferenças, persistem dúvidas sobre o impacto das condições socioeconómicas e do acesso a rastreios e cuidados especializados.
O caso do Porto Moniz, com uma taxa de mortalidade por doenças circulatórias acima da média regional, é outro alerta. Estes números sugerem que o local de residência continua a influenciar o risco de morte por certas causas. O Funchal, apesar de concentrar quase metade dos óbitos devido à sua população, apresenta contradições entre o acesso a cuidados de saúde e fatores de risco de estilo de vida.
Apesar da descida global da mortalidade, o quadro geral exige políticas públicas focadas na prevenção, equidade territorial e resposta às necessidades específicas de cada concelho, para evitar que o código postal pese tanto quanto o diagnóstico.




