A recente vaga de acusações sobre interferências estrangeiras nos sistemas eleitorais, embora carecendo de prova sólida, expõe a fragilidade tecnológica da Europa. Durante décadas, o continente acomodou-se a uma dependência quase total de infraestruturas digitais, software crítico e serviços tecnológicos desenvolvidos fora da Europa, especialmente nos Estados Unidos.
Esta dependência, justificada por eficiência e custo, revelou-se um erro estratégico. A Europa não controla plenamente os sistemas que sustentam as suas comunicações, economia digital e processos administrativos sensíveis. A questão transcende a economia, tornando-se política e de segurança.
Num contexto global de rivalidades entre potências, confiar infraestruturas críticas a tecnologias externas cria vulnerabilidades. Embora a União Europeia procure reagir com iniciativas de cibersegurança e regulamentação, estas medidas são insuficientes para garantir autonomia estratégica. A fragmentação interna e a falta de escala industrial impedem a Europa de acompanhar o ritmo das potências tecnológicas.
O mundo avança para uma nova fase de competição digital, onde dados e algoritmos são instrumentos de poder. Depender de terceiros para a integridade de sistemas críticos é um risco que a Europa não pode mais ignorar. É necessária uma mudança de paradigma, com investimentos consistentes na criação de um ecossistema tecnológico próprio, robusto e competitivo, para garantir independência e resiliência.




