O maçarico-de-bico-virado (Limosa lapponica baueri), um pequeno limícola cinzento, detém o recorde verificado de voo mais longo sem escalas na natureza. Esta ave atravessa o Oceano Pacífico entre o Alasca e a Nova Zelândia/Austrália numa única etapa, cobrindo cerca de 11.000 a 12.000 km durante 8 a 11 dias, sem pousar, comer ou beber.
A rota Alasca-Nova Zelândia representa a migração sem paragens mais longa conhecida em qualquer animal. Em 2020, um indivíduo voou aproximadamente 12.200 km em 11 dias. Para suportar esta travessia extrema, as aves acumulam reservas de gordura, podendo chegar a 55% da sua massa corporal, e o seu organismo remodela-se temporariamente, reduzindo o tamanho de órgãos como o intestino e o estômago para otimizar o voo.
Após a chegada à Nova Zelândia ou Austrália, os maçaricos alimentam-se intensamente para recuperar a sua condição física, regenerando os órgãos digestivos e musculares. Esta façanha, repetida anualmente, destaca a impressionante resistência desta espécie.
