Lina Pereira, presidente do JPP, encerrou as jornadas parlamentares sobre o ferry e a continuidade territorial, defendendo que a ligação marítima entre a Madeira e o continente deve ser vista como um serviço público e de interesse coletivo, e não apenas sob critérios de rentabilidade comercial.
Segundo Pereira, o estudo de viabilidade apresentado não prova a inviabilidade da ligação, mas sim a sua falta de rentabilidade comercial nos cenários definidos. Ela argumentou que os resultados do estudo estão condicionados pelos pressupostos utilizados, como o peso atribuído aos passageiros e a consideração da carga rodada como componente complementar. A líder do JPP afirmou que a escolha é política e que a questão central deve ser "quanto vale a continuidade territorial para os madeirenses e para os porto-santenses", bem como os modelos de financiamento e operação para concretizá-la.
Pereira apontou insuficiências no estudo, como a utilização de referências de custos de 2018 e a ausência de consulta direta ao mercado internacional de armadores. Criticou também a subavaliação da carga rodada e a falta de consulta a distribuidores. Defendeu que uma nova análise deve quantificar os benefícios sociais e económicos, como a redução dos custos logísticos e de vida, a possibilidade de viajar com veículo próprio, maior resiliência no abastecimento e ganhos de coesão territorial.
No encerramento, Lina Pereira acusou o Governo Regional do PSD de ter deixado de priorizar o ferry, classificando essa mudança como "enganar a população". O JPP garantiu que continuará a manter uma posição crítica e a apresentar alternativas, aprofundando a análise sobre a viabilidade da ligação.